
O colapso nas cirurgias eletivas que hoje atinge Ji-Paraná e Cacoal não é resultado de falhas municipais, mas do descontrole financeiro do governo de Rondônia. Cacoal abriga um Hospital Regional do Estado, enquanto Ji-Paraná opera com estrutura própria integrada ao sistema estadual de regulação, que encaminha pacientes para o hospital regional. Quando o Estado não repassa os recursos do Fundo Estadual de Saúde e das emendas parlamentares, toda essa engrenagem trava, impedindo a realização dos procedimentos.
A narrativa de que o problema seria apenas burocrático já foi publicamente desmentida pelo deputado estadual Delegado Rodrigo Camargo, uma das principais vozes de oposição ao Palácio Rio Madeira. Ele responsabiliza diretamente a Secretaria de Estado da Saúde pelos atrasos e cobra reiteradamente a saída do coronel Jefferson Rocha do cargo de secretário estadual, apontando incapacidade de gestão e o bloqueio dos repasses que deveriam sustentar os hospitais e a regulação de pacientes.

Ji-Paraná, mesmo sem hospital regional do Estado, acaba absorvendo grande parte da demanda inicial com recursos próprios, exames, internações e preparo dos pacientes que depois são regulados para Cacoal. Isso consome orçamento municipal e sobrecarrega a rede local, enquanto o Estado, que deveria financiar a média e alta complexidade, falha em cumprir sua parte.
Além da crise assistencial, o travamento dos repasses estaduais gera um efeito em cadeia na economia regional. Fornecedores deixam de entregar medicamentos, empresas suspendem serviços e profissionais da saúde ficam sem receber. O resultado é um ciclo de colapso que começa no governo Marcos Rocha e termina na vida real de milhares de rondonienses que aguardam por cirurgias que já deveriam ter sido feitas.
