Ao Comando364, Affonso Cândido detalha escolhas duras de 2025, expõe cenário herdado e anuncia ciclo de investimentos em 2026

Ji-Paraná (RO) — Em entrevista exclusiva ao Comando364, o prefeito Affonso Cândido fez um balanço detalhado do primeiro ano de governo. Ao longo da conversa, o gestor explica o cenário administrativo encontrado no início de 2025, as decisões difíceis adotadas para reorganizar a Prefeitura, os avanços já entregues e as perspectivas para 2026, apontado como o ano da execução e da consolidação de políticas públicas estruturantes.

Affonso Cândido — Quando assumimos, encontramos um ambiente de desorganização administrativa e financeira, com contratos vencidos, ausência de planejamento e compromissos assumidos sem lastro orçamentário. Fazer o Réveillon naquele contexto seria repetir práticas do passado. Optamos por não realizar para arrumar a casa, restabelecer previsibilidade e proteger os serviços essenciais.

Affonso Cândido — É fundamental esclarecer isso com transparência. O município herdou uma dívida de aproximadamente R$ 60 milhões, contraída por meio do FINISA (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), junto à Caixa Econômica Federal.
Esse financiamento gera uma parcela mensal em torno de R$ 1,8 milhão, comprometendo diretamente o orçamento. Ao final do contrato, considerando juros e encargos, o valor ultrapassa R$ 140 milhões. É uma dívida pesada, de longo prazo, que reduz significativamente a capacidade de investimento do município e exige escolhas responsáveis mês a mês.

Affonso Cândido — Foi possível porque houve planejamento, controle e responsabilidade fiscal. Trabalhamos dentro do orçamento real e com contratos regulares. Entregamos um evento plural, com atrações como Jadson & Jadson, Maria Marçal e a Fraternidade São Paulo II.
Evento público não é problema quando há seriedade na gestão. Além de ser um direito constitucional ligado à cultura e ao lazer, eventos bem planejados movimentam a economia, fortalecem o comércio, geram emprego temporário e aumentam a arrecadação, que retorna em investimentos em saúde, infraestrutura e serviços públicos.

Affonso Cândido — Sim. Encontramos uma distorção histórica: por décadas, mais de 700 servidores recebiam abaixo do salário mínimo, com base em R$ 1.212,00. Optamos por priorizar essas famílias.
A partir de 2026, a base passa a R$ 1.625,00, com impacto aproximado de R$ 8 milhões ao ano na folha, entre R$ 700 mil e R$ 800 mil por mês. É um custo necessário para corrigir injustiças antigas.

Affonso Cândido — Encontramos uma Secretaria de Educação praticamente sucateada, compras sem planejamento, materiais estragando e apontamentos de órgãos de controle sobre a gestão passada.
No transporte escolar, pegamos uma cidade sem transporte e com aulas suspensas. Reconstruímos processos, revisamos contratos e redesenhamos rotas. Hoje, Ji-Paraná tem transporte escolar digno e regular, como prometido na campanha.

Affonso Cândido — Sim. A coleta estava com contrato vencido, com risco de paralisação. Regularizamos e hoje o serviço ocorre de forma contínua, garantindo saúde pública e limpeza urbana.

Affonso Cândido — Talvez o retrato mais fiel do caos herdado. Máquinas sucateadas, equipamentos abandonados, dívidas milionárias, fornecedores sem receber. A sensação era de que a Prefeitura tinha passado por uma tsunami administrativa, como as tragédias vistas na Indonésia e no Sri Lanka.
Identificamos pagamentos por serviços não prestados, encaminhados aos órgãos de controle. Hoje, a Secretaria está reorganizada e voltou a ter capacidade operacional.

Affonso Cândido — Sim. Iniciamos o Asfalta Jipa, em parceria com o Governo do Estado, com apoio do governador Marcos Rocha, começando pelo bairro Jorge Teixeira.
Também recuperamos pontes em linhas rurais que estavam há mais de três anos sem acesso e substituímos pontes urbanas por galerias de concreto.

Affonso Cândido — Encontramos contratos vencidos, prejudicando farmácias, postos e o hospital. Tivemos que refazer processos, o que levou tempo e penalizou a população — não por culpa da atual gestão, mas pela irresponsabilidade de quem saiu.

Affonso Cândido — O hospital tinha vazamentos e infiltrações. Fizemos reformas pontuais, melhoramos a estrutura e hoje há ambiente mais humanizado e limpo.
Não falta medicamento, o hospital funciona regularmente e já realizamos exames de Doppler. Estamos preparando a construção de um novo hospital, com R$ 20 milhões empenhados, via senador Marcos Rogério.

Affonso Cândido — 2026 será o ano da execução. Em 2025, arrumamos a casa e enfrentamos uma grande deficiência técnica. Teremos concurso público, algo que Ji-Paraná não vê há décadas, para fortalecer a administração.
Vamos ampliar pavimentações, obras, investimentos em saúde e educação e retomar grandes eventos, que geram lazer e movimentam a economia.

Affonso Cândido — Registro agradecimento aos deputados estaduais Laerte Gomes, Cláudia de Jesus e Nim Barroso; aos deputados federais Maurício Carvalho, Thiago Flores, Lúcio Mosquini e Sílvia Cristina.
Agradeço aos 17 vereadores da Câmara Municipal de Ji-Paraná, que atuam de forma institucional.
Destaco os senadores Confúcio Moura e Marcos Rogério, que juntos destinaram mais de R$ 16 milhões para o custeio da saúde, além dos R$ 13 milhões para escola padrão e o Residencial Morar Melhor. Soma-se o apoio do senador Jaime Bagattoli. Sem essas parcerias, não teríamos avançado como avançamos.

Affonso Cândido — “Desejo a todas as famílias ji-paranaenses um Feliz Ano Novo, com saúde, paz e esperança. 2025 foi de reconstrução e escolhas difíceis. Entramos em 2026 mais preparados, com planejamento e responsabilidade.
Peço a Deus que abençoe cada lar ji-paranaense, trazendo proteção, sabedoria e força para continuarmos avançando juntos.”

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