
Por Fabio Gonçalves
A decisão do governador Coronel Marcos Rocha de permanecer no cargo não foi apenas um gesto administrativo. Foi um movimento político calculado, que interrompeu planos de bastidores e reposicionou completamente o jogo eleitoral em Rondônia. Ao descartar a hipótese de renúncia para disputar o Senado, Rocha travou a ascensão imediata de grupos que apostavam no vácuo de poder e, ao mesmo tempo, assumiu o protagonismo na sucessão estadual.
Recém-filiado ao PSD, o governador sinaliza claramente sua estratégia: conduzir a própria sucessão, com apoio ao ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria. Trata-se de uma tentativa de manter o grupo no poder, ainda que sob forte desgaste. E aqui reside o primeiro grande problema. O segundo mandato de Rocha enfrenta rejeição crescente, com críticas recorrentes à falta de entregas estruturantes e à perda de ritmo administrativo. Na prática, seu apoio pode mais pesar do que impulsionar.
Mas enquanto o governo tenta organizar sua linha sucessória, um movimento mais silencioso, porém muito mais consistente, avança nos bastidores: o do senador Marcos Rogério.
Diferentemente do cenário ainda instável do grupo governista, Marcos Rogério vem construindo uma base política sólida e capilarizada. Sua articulação no Cone Sul do estado é um exemplo claro disso. O senador conseguiu algo raro no atual contexto político: alinhamento com praticamente todos os prefeitos da região, consolidando um bloco que combina força institucional, capilaridade eleitoral e presença territorial.
Esse tipo de construção não acontece por acaso. É resultado de articulação contínua, leitura estratégica do cenário e capacidade de diálogo com lideranças locais. Enquanto outros ainda discutem candidaturas, Marcos Rogério organiza apoio real.
Outro fator que tende a tensionar ainda mais o cenário é o papel do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves. Convidado para compor como vice na chapa de Marcos Rogério, Hildon surge como peça-chave nessa engrenagem. Caso opte por disputar o governo no primeiro turno, o movimento natural é que ele concentre críticas diretas ao candidato da situação, Adailton Fúria, desgastando ainda mais uma candidatura já vinculada a um governo com alta rejeição.
E mais: em um eventual segundo turno, a convergência entre Hildon Chaves e Marcos Rogério não apenas é possível como altamente provável. Essa composição ampliaria significativamente o campo oposicionista, criando uma frente robusta contra o candidato apoiado pelo atual governador.
Há ainda um elemento ideológico que não pode ser ignorado. A filiação de Marcos Rocha ao PSD insere o grupo governista em um ambiente partidário que, nacionalmente, mantém interlocução com o PT. Em um estado como Rondônia, onde o eleitorado tem perfil majoritariamente conservador, esse fator tende a gerar ruído e resistência. É um desgaste adicional que recai, inevitavelmente, sobre o candidato da situação.
No fim das contas, o que se desenha é um cenário de contraste. De um lado, um governo que tenta sustentar sua sucessão carregando o peso de uma gestão contestada. De outro, um senador que avança de forma estratégica, ampliando alianças e consolidando apoios concretos.
A permanência de Marcos Rocha no governo pode até ter evitado uma ruptura imediata no poder. Mas, paradoxalmente, pode ter acelerado o fortalecimento de quem hoje se apresenta como o principal nome da oposição.
E, neste momento, esse nome é Marcos Rogério.
